Desafie a si mesmo, e combata o seu inimigo interiorizado. Pois quem se conhece profundamente, não sabe somente enumerar suas qualidades e defeitos, mas sabe cultivar o que convém à si mesmo e aos que estão ao seu redor, e aniquila o que destrói o próprio ser.
–Rafael Luz

Se você tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer verdades, teria ouvido muitas verdades que insisto em dizer brincando… Falei, muitas vezes, como um palhaço, mas nunca desacreditei da seriedade da plateia que sorria.
–
Charles Chaplin

“Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigí-las. Afasto o papel.”
Graciliano Ramos
O palhaço que faz a graça
Talvez nem a carregue mais.
Só usa ali, na tenda, palco ou praça
Para fornercer risadas aos demais.
~
Sua maquiagem e o nariz rubro
Fazem surgir um cenário
Bem fantástico e imaginário
Escondendo assim os pensamentos profundos.
~
Sim, palhaço pode ser triste
Mas ver um sorriso descontraído
Lhe traz a maior felicidade que existe
~
Palhaço conhece a tristeza de perto
E para não encará-la todo dia
Põe maquiagem, nariz e um sorriso aberto.
(Relogim)
Sou do tipo que vê o copo meio cheio, só que tem horas que me bate aquela “sede” e faz o copo parecer meio vazio.
– 
Rafael Luz
Vida de Garimpeiro

Que vida difícil é a de um garimpeiro, que gasta todo ou parte do seu tempo procurando um pedaço de pedra ou metal precioso, esperando que aquilo possa mudar sua vida, trazendo sossego, segurança, riqueza e felicidade. E é uma busca que se dá por necessidade, ganância ou por simples esperança.
Mais que uma busca, é uma loteria em que todos arriscam, e em que alguns sairão ganhadores de primeira, outros passarão anos tentando até obterem o sucesso esperado, alguns outros, coitados, vão passar a vida garimpando e garimpando, mas sem encontrar nada, só algumas pedrinhas que parecem, mas nada são. Pior mesmo, são os que acham a pedra ou a pepita mais linda, mas não podem tê-la, porque seu preço é muito alto.
Mas o mais difícil do garimpo é saber o que fazer quando a fonte se esgota, quando o garimpeiro já fez sua busca em cada canto e não encontrou nada, quando tudo que tinha de valor já foi descoberto. Toda uma busca que foi, junto com a correnteza, por água abaixo. Toda uma expectativa e esperança e todo um cansaço dispensado a uma atividade em vão.
E nosso dia-a-dia é um garimpo, buscando sucesso nos estudos, no trabalho, no amor, nas amizades e nas diversas seções de nossas vidas. Estamos procurando a preciosidade que nos garantirá felicidade. Mas nem todos se saem bem, muitos estão aí procurando a pedra preciosa, confiantes de que ela está próxima, e outros estão procurando com um olhar e um coração cansado de insucessos, quase descrentes. Talvez a solução para esses que estão cansados seja mudar de lugar, descer, ou até mesmo mudar de riacho. Procurar o desejo antigo em um lugar novo.
Mas e aí? Como vai seu garimpo? O meu já me cansou, e já se esgotou, mas estou criando forças pra poder ir ao encontro de um novo. Enquanto isso só vou assistir o riacho correr pelas pedras.
Guarda-roupa
É, eu sou um guarda-roupa. Por fora pareço-me inabalável, de madeira forte, que não é consumido por cupim algum, o que pode ser verdade, porque sempre tento me manter de pé, com a cabeça pra cima. Mas de vez em quando, me deixo levar e fico parecendo esses guarda-roupinhas dessas grandes lojas de varejo, com aquela madeira feita de tantos outros pedaços de madeira que foram moídos e que formam uma placa leve e pouco resistente, que não suporta a ideia de ser desmontado mais de uma vez e fica todo capengado, balançando, sem firmeza, praticamente descartável.
Mas seja qual for a madeira, sempre tento me mostrar alegre, com alguns adesivos legais colados nas portas, pra quem quer que seja, chegue e repare naquele detalhe diferente e se esqueça de vasculhar o interior. No geral, o meu exterior é organizado e alegre, não importa se o interior está bagunçado ou organizadissímo.
No interior tenho várias repartições, cabides e gavetas. Tento sempre deixar ao alcance das mãos o que é útil pro dia-a-dia, e o que não esta em condições de uso vou botando pros fundos, amassados, embolados, bagunçados. As melhores roupas ficam mais acessíveis, e as mais ou menos ficam mais guardadinhas, já que são só pra ficar em casa, e ninguém precisa saber como eu fico em casa. E as surradas, sujas ou rasgadas vão se acumulando lá no fundo, bem no fundo, até que eu decida/consiga jogá-las fora.
Mas chega um ponto em que tudo se revira, por descuido ou por acúmulo, e do lado de fora a porta começa a se estufar, querendo expôr a desordem criada no interior. É nessa hora então que dou uma atenção maior ao que está acontecendo, e começo a procurar o que é que está fora do lugar lá dentro, começando então a minha organização, selecionando o que está limpo do que esta sujo, o que está novo do que está surrado.
Demora, mas consigo me organizar sozinho. E vou repetir esse processo sozinho até que eu encontre alguém com quem possa dividir essa tarefa, alguém pra quem eu possa mostrar essa bagunça e pedir ajuda na arrumação e que depois esteja ali, me ajudando a não bagunçar mais. Só isso!
Sem mais!
Relogim
Trocar

Tenho um aviso pra você, e pra mim também: Vamos trocar nossas bobeiras, gracinhas e showzinhos sentimentais depressivos e destrutivos. É isso mesmo, troque. Se for pra fazer bobeira, gracinha e showzinho, faça um cômico ou um romântico, mas esqueça o melancólico e o dramático.
É enjoativo, cansa e desgasta. Acredite, eu me desgastei! Mas já estou voltando, e voltando para as apresentações cômicas, que tanto me atraem, apesar de minhas piadas ainda não superarem as do Zorra Total.
Vou voltar a ser bobo e deixar de ser idiota!
Sem mais!

